Coração valente

Faz tempo que não escrevo aqui. A vida tá tão corrida, que preferi dormir a “transbordar” nas poucas horas restantes de cada dia. Bobagem minha. Isso aqui me faz um bem danado.

 A história de hoje, como todas as contadas a vocês, é verdadeira. Só que não tem neuroses de uma menina mulher. Quando a finitude de nosso ser chega perto, o filme da vida estreia mesmo sem bilheteria garantida…. e a gente reza para que o final seja feliz. E será!

Ao meu PAIdrasto, que tanto amo e que tanto admiro. Seu coração entupiu porque tem muita gente nele…

E ele salva as planilhas nas pastas respectivas. Contas a pagar. Orçamento do mês. Viagens. Eletrônicos. Um mago do Excel. Para uma jornalista desorganizada, aquela ordem desordenava as ideias. Mas depois de um tempo, lá estava eu com planilha de custos. Toda orgulhosa!

Ele é assim, gosta de ensinar. Fala grosso, impõe respeito. Alto, moreno-índio, focado. Não para quieto um minuto. Encantou minha mãe de primeira. Eu nunca a tinha visto com esse brilho nos olhos. Plena.

Eu bem que tentei resistir. Ele me deu flores, DVD do Bon Jovi, mas a filha pentelha, de uns 12 anos, tinha chiliques como todas as que vêem seus pais se separando e trazendo “estranhos” para o nosso convívio. Só que os olhos da minha mãe brilhavam tanto que aquele grandalhão não podia ser mau sujeito, fazia bem a ela.

Por volta de 2003 lá estávamos nós: ele, mamãe, irmão e eu, no novo apartamento, iniciando uma nova vida. A grana ficou curta e os móveis antigos não preenchiam todo aquele espaço do novo lar. Dava para dar uma festa naquela sala! E demos! De meu aniversário.

Uma semana antes, porém, ele ficou internado. Doenças de homem após os 50. Nada que o combalisse. Lá estava ele, na festa, junto com filha e neta, de outro casamento, nós, amigos. Ele tem mais outros dois filhos: um rapaz que está nos “Estaites” vivendo o sonho americano e outra, que mora em São José dos Campos e tem um filho daqueles que são mini-adultos (aliás, esse assunto rende outra história, fica para a próxima).

Mais aniversários. Minha formatura, formatura do meu irmão. Natais. E dor no peito. Forte, em dia de chuva. “Não é nada”, pensou. Mas a veia estava 85% obstruída. “O sr. teve um infarto, não sei como ainda está vivo!”, disse o médico, na tarefa diária de informar aos pacientes e na falta de tato para lidar com um assunto delicado.

Os olhos de minha mãe perderam o brilho, assim como ela perdeu as noites de sono. Ida a médicos, cateterismo. No vídeo, algo incrível: o próprio corpo criou nova veia para levar o sangue que encontrou barreira na hora de passar. Os médicos não acreditavam. “Foi a natureza”. “Não, foi Deus”, disse minha mãe.

Mas esse novo caminho construído por Deus, ou qualquer que seja o nome, não será suficiente para carregar todos os glóbulos dele. Uma ponte tem de ser construída. Essa, pelas mãos dos homens, a tal safena. E veio a ordem: repouso absoluto, nada de esforço, só salada.

Lá ia ele, pela primeira vez, comer alface. Lá ia ele para suas planilhas. E cada vez mais para elas. Lá ia ele, repensar a vida em filme, porque, mesmo sabendo que a cirurgia é “comum”, como ouvi muitos dizerem, a ficha cai de que somos finitos.

E todos lá em casa pensamos nisso. Tenho uma tatuagem no pulso esquerdo com os dizeres “Carpe Diem”. Mas fica difícil aproveitar a vida, se tudo o que fazemos é trabalhar, e cada vez mais. Dormir menos. Fazer pouco exercício. Comer besteira. Negligenciar o corpo. O aproveitar a vida fica em segundo plano. Até que somos chamados à realidade…

Se eu pudesse, juro, abria o peito dele e desentupia tudo. Para vê-lo para lá e para cá de novo. Para ver suas planilhas com várias pastas “Viagens” criadas. Para ver minha mãe com brilho nos olhos de novo. Mas isso não posso fazer. O que posso – e faço – é rezar, é torcer, é acreditar, é defender, é estudar tudo sobre o tema. E ter a certeza de que tudo vai dar certo!

Paizinho, não se preocupe. A “natureza” vai guiar as mãos do médico e você vai ficar com o coração novinho! Porque ele tem de estar bem. Afinal, quero ele batendo forte ao me conduzir ao altar, no dia em que irei me casar….

Sobre 4 flores em meu jardim

Estou atrasada na atualização do blog. Prometi que seriam todas as sextas-feiras… Mas não consegui. De todo modo, hoje a vontade é de poesia e a disciplina com esse “filho” está na lista das promessas para 2011. Vamos lá?

O tema será amizade, em homenagem às minhas queridas 4 flores de maracujá: Maíra, que está na Austrália se descobrindo, Paloma, que está em clima de casório, Débora, que também está em clima de casório e Nathalia, que já casou, com um australiano! Há outras tantas flores em meu caminho, mas essas estão no meu jardim desde nem usávamos sutiã…Permitam-me ser bem infantil e fazer rima de criança?

A tia da van estava mal humorada, a menina, para variar, atrasada

Entra Maíra, com a roupa da escola, falante, sorriso aberto

Empatia instantânea, temos 11 anos: – venha aqui, sente-se perto!

Na classe, ela sentava-se sempre no fundão. É alta, cabelos volumosos, um baita sorriso

Curiosa, amiga de todos, voz doce, pureza, Débora, linda, ganhou meu coração sem cerimônia e aviso!

Prendada nas artes, faz bolsa, faz cartão. Companheira de traquinagens, de fazer música sobre professor, a cantarolar no recreio. A Paloma é destemida, vai atrás do que quer e ama pão de centeio!

A Nath é reservada, aérea, sonhadora, fotografa como ninguém. Tem aquela inquietude no peito, foi atrás do destino no estrangeiro

Trouxe um gringo, casou, mas para ela não vou fazer rima não. Sua complexidade não me permite. Diante de sua doçura, nada chegaria a sua altura. Oops, rimei!

A vida corrida não me deixa vê-las sempre. Os corredores do colégio, se falassem, criariam uma crônica leve, engraçada, com pinceladas de puro caráter. A Zona Norte foi nosso reduto, a pracinha, nosso ponto de encontro. A figueira, nosso lugar de brincar de esconde-esconde e abrigar merendas, discussões sobre namoros, sobre o futuro.

Futuro? Puxa, se pudesse me transportava para a Austrália, daria um beijo na Maíra. Depois, baixava na emissora de TV para tirar a Paloma do trabalho, parando na capoeira para ver a Débora e iria em direção ao Jardim São Paulo conhecer o ninho de amor da Nath.

Se eu pudesse brincar de Deus um tiquinho, jamais deixaria um sopro de sofrimento na vida dessas mulheres lindas, impedia as frustrações, as desilusões, as brigas com chefes, com amores, com família, beijaria suas faces todas as noites, como um pai que acaba de contar história e vê a filha adormecendo com suspiro de anjo.

Mas já que não posso impedir nada disso, agradeço a essas 4 flores, amigas necessárias justamente porque são essenciais para que esse peso de frustrações, em face das mãos atadas, fique menor, a ponto de não senti-lo. Dividir com elas é multiplicar. Tê-las conhecido, foi um prazer.

Tê-las em minha vida, se não é destino, foi afago dos céus. Amo vocês. Feliz 2011!

Sobre sobrancelhas, navio e Freud

Resolvi contar este causo aqui a pedidos. É verídico. Juro.

Meses de novembro e dezembro, além das frases “nossa, como o ano voou”, são famosos pelas aguardadas (ou não!) “festas da firma”. Dia de caprichar no figurino e, para as mais afoitas e solteiras, colocar a saia curta que o dress code corporativo não permite no dia a dia. E para os mais afoitos e solteiros (ou não!), dia que caprichar no gel, pomada ou brilhantina – a depender da idade -, para ajudar na hora de lançar mão da cantada mais inapropriada àquela garota nova na empresa.

No caso da empresa em que trabalho, que está completando 15 anos, a festa teria de ser especial. Que tal em um navio? Um dia e uma noite, com direito a jantar com 512 refeições (o número é para exagerar, caso o leitor não esteja familiarizado com a minha pessoa – o drama em forma de gente! Mas foram muitas, garanto!), balada, piscina, cabine preza e tudo mais. Imagine só!

O anúncio foi feito cerca de dois meses antes. Era tal de regime para cá, ração humana para lá, busca da desculpa perfeita para contar aos namorados (não era permitido levar acompanhante), discussão sobre usar ou não biquini na frente dos 200 funcionários, enfim… Eu fiquei alheia a tudo isso, embora gostasse de ouvir as peripécias. Foi aí que me dei conta: é amanhã! Havia chegado o dia da festa da firma no navio. Era preciso ir ao Rio de Janeiro e de lá, embarcar no MSC Orchestra vindo das “zoropa” em direção a Santos. E já alerto ao leitor: esta crônica não é sobre os bastidores do navio, nem sobre quem flertou com quem, quem passou mal (com o balanço do mar, ora!), quem foi bater à porta de cabines diferentes daquelas para as quais fizeram o check in. Embora a vontade seja de dividir as mais divertidas histórias, minha tarefa aqui é de contar o causo da Ju que quase virou Frida. Lá vou, com o perdão pelo nariz de cera.

Chego ao salão perto do trabalho, onde faço as unhas, a sobrancelha, ouço todas as fofocas da baixa Augusta, colho material pulsante para crônicas (Aguardemmm, como diria o saudoso Silvio Santos). São 20h da noite e o dia havia sido exaustivo. Sexta-feira. Meu vôo para o Rio seria às 11h do dia seguinte, um dia 27 de novembro de 2010.

A tarefa era desencravar as unhas, pintá-las de vermelho tomate, ornando com o biquíni de mamãe – recomendação de namorado para tapar as (todas) partes do corpo de quem vos fala. Além disso, arrancar uns pelinhos à pinça da sobrancelha poderia dar um ar saudável à feição, afinal, como diriam as mais renomadas revistas femininas, a sobrancelha é a moldura do rosto. Ou serão os cabelos? Bem, deixe pra lá… Hoje estou prolixa que só… Aguentem firme!

E foi exatamente assim:

– Oi, Juzinha (sou de casa, viu?), sente aqui que vamos cuidar de você! Amanhã tem aquele navio, né? A Fulana, Cicrana, Beutrana, Poliana, Elisabetana, e tantas outras anas já vieram e me contaram. Que chique essa empresa de vocês!, disse Cris, a manicure.

A essa altura, eu já estava sentada em uma cadeira, com a Cris a meus pés (perdão pelo trocadilho), a Fran em minhas mãos, e a Avany em minha face. Totalmente refém, entregue, relaxada, mimada. Ô delícia! Foi quando então senti uma gota gelada na minha sobrancelha direita. Penso: bem, ela deve estar colocando água gelada, para limpar o rosto. Afinal, 12 horas de trabalho mais pele oleosa deveriam estar iguais a, vixe, nem quero pensar! Mas, como diria minha mãe, eu sou perguntadeira:

– Avany, que troço gelado é esse?

– Ué, to fazendo a coloração da sua sobrancelha!

Neste momento, entendi como nunca o que é frio no estômago. Mais do que isso, sabe quando você aperta o “FF” e o filme de duas horas corre em 2 minutos? Pois bem, é exatamente assim que meus pensamentos superlotavam minha mente. Veja se consigo descrever: Nossa senhora, mãezinha de Deus, que raio essa mulher tem na cabeça de achar que eu quero pintar minha sobrancelha; isso existe?; que cor será que ela tá passando?; posso mudar meu sobrenome para Juliana kahlo? Tenho uma taturana na testa?; e o navio? Como vou chegar assim? Ah, não, não vou mais, vou dizer que estava com medo da guerra civil que ocorre o Rio de Janeiro, que peguei uma virose, ou se eu for, que tenho de ficar de óculos escuros daqueles bem grandes (ao menos estarei na moda!), porque estou com tersol. Mas, em caso de estarem loiros, talvez eu possa estar parecendo aquele cara da novela Passione, um ruivão grande, filho do Tony Ramos, cheio de sarda, manja? Puxa, nem ao menos uma comparação com uma pintora, que é mais chique! E meu namorado, então!! Ele não consegue disfarçar, vai gargalhar na minha cara, apontar, tirar fotos, depois, me vendo ter crise nervosa vai me abraçar, dizer que não está tão ruim assim, mas aí já será tarde, brigaremos, ligarei para a melhor amiga, falarei um monte, farei greve de fome, me recusarei a sair da cama, a viver, meu ser estará profundamente comprometido pela inércia da vida ociosa, que não é bonita e bonita, e nem Lord Byron ganhará de mim no quesito morbidez, nem Gil Vicente, nem o Hardy falaria tantos “ó céus, ó vida!”…. Ufa, tudo isso eu senti em 3 segundos. De verdade!

– Nãaaaaaaao! Eu só queria tirar o excesso de pelos, Avany, disse, em voz trêmula, seguramente já da cor de um palmito ou até mais branca que camisa em propaganda de sabão em pó.

Ela, na calma de Jó (por que existe gente assim, Deus do céu!), diz:

– Ah, já coloquei a tinta, vou ter de terminar… Mas na sua ficha está escrito Juliana Coloração, ué, achei que você ia inovar para esse tal de navio!

Nesse momento, o gerente, que anotou meu horário, matou a xarada:

– Não, Avany, está escrito Juliana Colombo e não Coloração! [Colombo é meu sobrenome, leitor novato (e assustado), que ainda não me foi apresentado].

Resultado: após quase parir um ser em segundos, até que não ficou ruim! Preencheu as falhas, modelou minha face, enfim, por sorte (ou não!), não virei a Frida Kahlo brasileira, não tive de botar oclão, nem inventar uma história qualquer e até ganhei elogios do namorado. Fora que contar a história rendeu momentos lúdicos e divertidos com o pessoal da firma, que muito gentilmente me pediu para postar o causo aqui.

Por não ter ficado muito tempo, a tinta não pegou tanto na minha pele. Mas as marcas que ela poderia ter deixado, ah, essas eu senti! Ô, se senti. É caso de internação ou será que Freud explica?

Sobre impressionar e filé ao molho mostarda

E ele ficou mesmo surpreendido. Não que em mais de três anos de namoro eu não tenha demonstrado meus dotes culinários, mas, desta vez, foi especial.

A sexta-feira prometia ser mais um daqueles dias em que você só quer apertar um botão e estar em sua cama, de banho tomado, pronta para adentrar ao sono REM (aliás, quando é que irão inventar o tele transporte, pelo amor de Deus?!). E a promessa foi cumprida com louvor: despertador não desperta, cabelo prefere apontar para o sol a ficar quietinho fio ao lado de fio, troca de bolsa faz esquecer agenda com compromissos, sandália de salto e chuva desaba, pito de chefe, cliente mal humorado, funcionário liga doente, mãe liga carente, quem eu quero não me liga, enfim… Mas ele merecia uma surpresa, um dengo, um chamego. Ainda mais sendo guloso, quase uma réplica de draga, mas uma draga com paladar exigente. E eu não queria terminar o dia sem pelo menos um elogio… Lembra-se da história de impressionar (essa que está aí abaixo, caso não tenha lido).

A ideia era arrasar mesmo. Passo um: senhor Google, me ensina a fazer filé mignon ao molho mostarda? Passo dois: depiladora dá um jeito aqui nessa (*&$#@ – oops, proibido para menores). Passo três: irmão chispa de casa hoje! Passo quatro: compra dos ingredientes.

Ele iria chegar na minha casa por volta das 22h. Isso significava que eu tinha de, saindo às 20h do trabalho, passar no supermercado, comprar tudo do bom e do melhor (decidi fazer bruschetas e pudim de sobremesa), fazer o jantar e ainda tomar banho e tornar-me impecável para receber aquele que tive de ir à Inglaterra para achar! (Essa eu conto outro dia).

Valendo: taxi: R$ 20 e 20 minutos; mercado: R$ 192 e 40 minutos (escolhi tudo orgânico!); taxi: R$ 10 e 5 minutos. Chego em casa, ligo o forno enquanto bato o pudim. Mando mensagem a ele dizendo para não tentar chegar antes que ia ganhar rolo de macarrão na fuça. Descasco batatas. Faço arroz. Coloco batatas no forno, junto com o pudim. Tempero o filé. Arrumo os demais ingredientes (gosto de tudo em ordem de uso). Vou tomar banho. Meu corpo relaxa, pede longos 40 minutos, mas eu só lhe dou 15. Besunto tudo com creme Ambar Romance, boto roupas íntimas novas. Sinto cheiro de queimado. O pudim!!!!!!!!!!!!!! Fumaça para todo o canto, mais de 22h, coração na boca. A cena não é engraçada, diante de uma pessoa neurótica, maníaca por perfeição, metida a chefe de cozinha. Meu pudim, pudinzinho, lindo, cremoso… Bem, não tinha tempo e maquiagem borrada ia ser pior.

Bora cortar tomate, picar manjeiricão, cortar pão italiano, lavar a louça. O filé eu frito na hora. Arrumo a mesa, boto velas, taças de vinho, bilhete carinhoso, sorriso nos lábios, uma espiada em Two and a Half Men (adoro!) e chega ele: meu amor! Um ser único, paciência de Jó, sorriso fácil, olhos brilhantes, cílios com curvex de fábrica, enfim, não há filé mignon, batata souté, pudim (sem queimar) que valha a emoção que sinto quanto estou com ele. É uma paz de espírito. É a sensação do tele transporte. É entrar num quadro de Monet, andar pelas vitórias-régias, correr nas colinas, como fosse o pincel do grande mestre. É sentir cheiro de tutti-frutti no ar, bolo quentinho de avó, abraço de reencontro com melhor amigo, saída com colegas queridos para jogar conversa fora em mesa de bar (ó eu de novo com rima fajuta!).

Brindamos. Brusheta. Vinho. Sorriso. Filé. Molho de mostarda. Batata no molhomostarda para tirar o excesso de sal (dica de vó). Taça de sobremesa para fazer o arroz igual a prato chique de restaurante. Batatas. Salsinha. Repeteco de tudo isso para montar meu prato. Mais sorrisos. Foto do prato. Beijos. De borboleta, que é mais romântico. Mais vinho. Chamego. Pudim. Queimado mesmo, e tava bão. Alguma dúvida de que impressionei?

Sobre impressionar e cerejas

Fiquei pensando no que escrever para o meu primeiro post. Afinal, queria impressionar. Mas impressionar a quem, a troco de que? Então, resolvi escrever sobre a arte de impressionar. Digitei no “Google: arte de impressionar”. Rachei o bico, como diria um conhecido meu. Há dicas para impressionar “a gatinha no primeiro encontro”; o chefe, “na hora de mostrar o relatório”; o namorado, a mãe, a sogra, mas nada de primeiro post em blog, poxa! Aproveitei para anotar as dicas a modo de impressionar o namorado, e daqui a pouco vou ao supermercado comprar os ingredientes do filé ao molho mostarda e da bruscheta que me aventurarei a fazer, com direito a batata souté e rima fajuta!

Foco, foco, o assunto é a crônica, preciso impressioná-lo, caro leitor, senão você desiste de chegar à décima linha. Resolvi passar para o mundo das artes, do Impressionismo. Engraçado que na História da Arte, esse movimento sempre foi o que mais me agradou. Monet, Renoir, Degas, pinceladas soltas, ao ar livre, captando a luz, enchendo nossas almas de cores. Realmente impressionante, com o perdão do trocadilho descabido. Ora, se a ideia é captar a natureza em seu esplendor, porque raios a gente, quando cisma em impressionar alguém, tem de ficar engessado? É uma contradição em si. Não tem nada de solto quando se propõe a impressionar alguém. É tudo pensado, travado, chato que nem essa crônica, superficial.

Ok, tudo bem que, na verdade, é o Pós-Impressionismo que deixou essa ideia mais clara, incluindo os sentimentos na tela, não apenas a captura da cena. O tio Cézanne conseguia fazer com que cerejas ficassem maiores que pêssegos de uma maneira fenomenal, a ponto de brincar chamando de natureza morta algo tão sutil. Sem falar, claro, no Van Gogh. E olha que ele morreu frustrado, doente mentalmente, sem família, marginalizado pela sociedade, sem lenço, documento e orelha. Aliás, acho que ele pode salvar minha crônica (ou não). Veja só: ele tentou tanto impressionar que acabou refém da ideia, quando, dentro dele, havia tanta coisa linda, tanto sentimento, que se prender às regras, às técnicas, simplesmente o arruinava. E isso ele mesmo disse: “Pinto o que eu sinto e não apenas o que eu vejo”.

Talvez uma boa dica na hora de impressionar: sinta! Sinta quem está ao seu lado, seu cheiro, seu jeito, seus trejeitos. Sentir o outro talvez seja a maior prova de respeito. E respeitar impressiona. Impressiona porque é raro hoje em dia, é difícil demais, dá trabalho demais. Ou será só uma questão de perspectiva, como o prato da cereja do Cézanne? Bem, já divaguei demais. Bora ir ao supermercado comprar filé mignon, que eu tenho muito trabalho a fazer para impressionar.  Talvez compre cerejas e girassóis….Sentiu?

Enfim, um blog

Finalmente meu blog! Relutei por saber que não atualizarei com a frequencia merecida, por medo de críticas, por insistir em querer ficar longe das “modas” – hoje todo mundo tem blog! Mas algo aqui dentro está querendo sair. Ou melhor, muitos algos. Eles se derramam pelos meus poros, minha mente, me atormentam. Não, não são vozes do além. Sou eu, a Ju transbordando…… Usarei este espaço para ecsrever devaneios que o dia a dia de jornalista não me permite. E eu preciso cuidar deles, senão, eles me abocanham. Nem sei sobre o que escreverei, só sei que transbordei e, não cabendo mais em mim, divido com vocês (coitados!), algumas bobageiras…… Vamos nessa?